quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Seu, sua


Seu beijo é o vinho da minha alma, 
Suas mãos a poesia em minha pele
Seu sorriso é a prece que eu rezo
Seus olhos são minhas janelas
Seu corpo é mágica em minha vida.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ela cortou o cabelo



Foi um choque quando a encontrei de cabelo curto. Fazia um bom tempo em que ela reclamava que cabelos compridos envelhecem a mulher, que ela cansou do visual, que demorava demais para ajeitar e tal, reclamações femininas cotidianas. Sempre gostei de cabelos compridos e reclamo se ela fala em cortar, não quero perder aquela cabeleira em que me emaranho entre lençóis. Mas aquele dia ela acordou com uma expressão misteriosa de quem tramava com o FBI. Foi à sua cabelereira e pá! Voltou com os cabelos um pouco abaixo do lóbulo da orelha. Não gostei e reclamei com ela, que parecia uma guriazinha, cadê aquele mulherão que eu tinha, emburrei e sentei na sala. Ela sorria disfarçadamente e continuou sem levar em consideração meu beiço. 
Ela estava na faixa dos quarenta anos e reclamava continuamente que estava com aparência de velha, que cabelão é mania adolescente, que dava muito trabalho, enfim, um rosário de reclamações. Eu, lógico, achando lindo. Ela tem um grave defeito ou qualidade, depende do ponto de vista: quando quer fazer, faz, não pede opinião, não debate, nada disso, vai lá e faz. Ponto final e sem reclamações. Estava insatisfeita com seu visual e mudou, sabia que se pedisse minha opinião diria que estava bem como estava. Enfim, depois que cortou, não pude fazer mais nada a não ser aceitar, cabelos crescem, afinal. Ela argumentou, em um dia derradeiro do meu estado emburrado que meu despeito era porque ela estava aparentando menos idade e que isso me incomodava. Bobagem, bem capaz. Os dias foram passando e seus cabelos curtos encaracolavam suavemente em torno das orelhas, emoldurando seu rosto lindo e a deixando com um ar juvenil. Fui observando mais e percebi que realmente ela havia remoçado vários anos, principalmente com seus cachos molengos e rebeldes que inspiravam molecagens em mim.
Eu admito, queria enredar meus dedos naqueles cachinhos mimosos que caiam pela sua face e roçavam de leve sua nuca. Preciso concordar que parecia uma ninfa, quase etérea com seu visual novo. As calças jeans ficaram mais justas de repente e seus seios estavam mais salientes sob a blusa. Realmente, ela estava mais apetitosa do que antes, tinha a impressão de que uma jovem mulher aterrisou em minha cama. Impossível não resistir ao rosto emoldurado pelos cachos. Impossível resistir ao sorriso iluminado que ela ostentava, não sei se por perceber minha capitulação ante seu novo corte de cabelo ou se era eu quem a via mais linda. Difícil saber, mas a verdade é que minha mulher é linda de qualquer jeito, pelo menos aos meus olhos.
Percebia que os homens a olhavam mais, que mais pescoços se torciam ao vê-la. Percebia que ela estava mais confiante e eu fui tomado de um ciúme maluco, preciso concordar, ela estava uma menina e eu me sentia mais velho. Parecia que suas nádegas estavam mais arredondadas, todas as minhas fantasias malucas estavam voando em meu cérebro. Tudo por causa de um corte de cabelo. Uma noite enquanto ela dormia, apreciava seu perfil e aqueles cachinhos espalhados no travesseiro. Nisso, ela acordou e olhou para mim com os olhos enevoados pelo sono, resmungando o que eu fazia acordado. Respondi que a beleza dela dormindo era irresistível e que seus cachos espelhados eram lindos. Ela sorriu e me beijou, evaporando com o calor do seu corpo meu ciúme, meu medo e qualquer outra insegurança que pudesse ter.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ela estacionou em mim



Acho que a breguice tomou conta de mim. Escuto mais canções românticas do que gostaria, percebo mais a natureza do que antes, me vejo mais sensível às mazelas mundanas. O que será que mudou? Mudou o dia em que um perfume feminino invadiu meu olfato e uma visão invadiu meus olhos. Não pude resistir, mas tentei, linda, como tentei. Não estava disposto a mais uma confusão em minha vida, mais um envolvimento, mais um compromisso. Eu queria viver em paz com meu cachorro e minha moto, viajar por aí e não estabelecer laços. Estava bom viver assim, mas você apareceu. E mudou tudo, começando pelo capacete extra que passei a carregar para que você usasse em nossos passeios. Mudou a luz que entra pela janela do quarto, de repente fez todo o sentido porque iluminava você deitada ao meu lado, dormindo profundamente enquanto eu lhe observava. Mudou a comida do restaurante, ficou sem sabor depois que descobri como é bom cozinhar nossos pratos malucos à quatro mãos. Mudou meu humor matinal, de repente, retribuir o bom dia aos vizinhos não era tão custoso.
Mudou tudo principalmente porque você trouxe frescor e ousadia à minha vida.  Você deixou até as conversas com meus amigos mais interessantes, não que eu lhe enalteça, é que você mostrou que eles são os irmãos que escolhi. Aliás, conviver com você tem sido um aprendizado, qual mulher fica em seu apartamento lhe esperando voltar do jogo ou de um encontro com os amigos sem mexer em nada? E feliz da vida, dona do controle remoto e da garrafa de vodka da sua marca preferida. Nunca tive tanta liberdade e tanta vontade de ficar em casa. Mas você me lembra que eu tinha uma vida antes de conhecê-la e que não devo abdicar dela por sua causa. Sábia, ainda por cima, como se não bastasse a beleza. 
Você estacionou em mim sem impor sua vontade, sem invadir, sem tomar conta de tudo. Chegou em minha vida sem querer e sem perceber fiz de você minha mulher. Ainda bem que foi a tempo, quase perdi você por ter duvidado algum dia que seria assim. Como na música do John Mayer, que você me ensinou a gostar, sempre, mas sempre mesmo, voltarei para você. Porque hoje não sou mais errante, tenho para onde e para quem voltar e não que você não viva a sua vida esperando por mim. Você tem seu mundo e eu o meu, mas quando nossos mundo estão juntos, somos o mundo inteiro e o universo. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Carta do Interlúdio



Gatinha, entenda, sou um idiota. Não que acorde de manhã e diga "hoje serei um idiota", não, ninguém faz isso, homem ou mulher, não escolhemos magoar ninguém. Mas um homem muitas vezes age como um perfeito babaca e tudo por culpa desse nosso jeito, seja machista ou não, lidar com emoções é difícil. E foi quando você veio a mim sem sentir, com esse seu sorriso e seu jeito único de ser e balançou comigo que percebi que não poderia cometer esse erro com você. Na verdade, me deixou meio sem chão, perdido e confuso, reafirmou verdades que eu havia esquecido, derrubou alguns conceitos e fez surgir outros, você revolucionou algum lado da minha vida que estava amortecido, empoeirado, sem viço. E ninguém, nem eu ou você imaginamos que poderíamos nos conhecer, e revolver tanto a vida um do outro. 
Eu estava perdido, entrando e saindo de relações, traindo minhas namoradas porque era o único jeito de manter o namoro, entende? Sim, você entende, é esperta demais para não perceber essas nuances. A traição sempre foi a válvula de escape para poder seguir em frente com a namorada. Eu sempre dizia que gostava, mas no fundo sabia que tinha algo errado. Traí porque não tinha na relação o que realmente me fizesse à vontade, e com todas as namoradas fui assim. Queria preencher um espaço com alguém externo à relação. Mas conheci você, e me senti o Pato Donald vendo sua Margarida, atrapalhado, sem saber como agir. 
Você me faz sentir tão íntimo, como se nos conhecêssemos há muito tempo, como se fosse natural estarmos assim. Quase não consegui manter meus olhos e minhas mãos longe de você. Linda, tão sexy sem perceber que mexia com hormônios masculinos com essa aparência desligada e alegre. Uma boca que fazia sorrisos debochados, tentava me distrair com beijos na nuca, arrancava à força minha concentração. 
Sinto que vivemos um interlúdio, um espaço afetivo nosso, onde o mundo e seus venenos estão lá fora. Somos únicos juntos, somos bons e aquele cara babaca que agia impulsivamente virou um menino feliz com sua namorada, sua amiga e sua amante. Você conseguiu me transformar em um homem muito mais seguro, muito mais alegre, mesmo quando discutimos. Consigo ter meu espaço e minha privacidade e também não invado você, mas o estranho é que mesmo longe sempre estamos perto, sabe que nunca liguei para suas convicções místicas, mas tenho que concordar que sinto seu cheiro onde eu esteja.
Que esse nosso interlúdio seja um espaço separado dessa loucura do mundo, dessa pressa maluca que a sociedade de consumo nos exige, dessa extensa produtividade robótica. Que sempre ao fecharmos a porta de casa, o interlúdio ressurja, nos fazendo livres, nos fazendo leves. Só você mesmo para transformar esse idiota em alguém melhor. Só você mesmo para fazer com que eu me sinta o homem mais especial do mundo. Só você, minha linda mulher, minha fada desbocada e avoada que transformou meu mundo. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012



Você Me Bagunça

O Teatro Mágico

Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, musa, abusa de todo meu sim
Você me bagunça e tumultua tudo em mim
E ainda joga baixo, eu acho, nem sei,
Só sei que foi assim
Assimila, dissimula, afronta, apronta, diz: "carrega-me nos abraços"
Lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços
Me desapropria o rumo, o prumo, juro me padeço com você
Me desassossega, rega a alma, roga a calma em minha travessia
Outro "porquê"
Parece que o coração carece e diz: "pára!" Silencia.
Se embrulha e se embaralha,
Reconsiderar o ar, o andar , nossa absolvição, a escuta e a fala
Nos amorizar o dia, fio, corredor, a calçada, o passeio e a sala
Se perder sem se podar e se importar comigo
Aprender você sem te prender comigo
Difícil precisar quanto preciso
Difícil precisar quanto preciso

Aprender você sem te prender comigo, frase significativa.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ela enche uma calça



Ela chegou sorrindo, me deu um beijo e sentou ao meu lado. Linda, perfumada, com aquele jeito de quem ilumina o espaço em volta. Fiquei fascinado por aquele perfil e aquelas coxas que estavam contidas em sua calça. E que calça! Ela realmente enche uma calça, reparei enquanto a observava caminhando, com aquele vai e vem dos quadris, um rebolado suave e feminino, que as calças realçavam ainda mais, belas curvas a atrair olhares e meu desejo. Ela não é bombada e nem magra demais, tem as curvas perfeitas e que se encaixam em seu corpo miúdo e gostoso. As pernas começam com belas panturrilhas, que sobem e revelam lindas coxas torneadas e firmes, que se juntam enquanto sentadas, escondendo o segredo mais úmido e quente que ela tem. Sabe aquelas coxas que não fica um vãozinho sequer, são encaixadas perfeitamente? E que coxas! 
Ela levanta e me sorri "lindo, vou ao Vanderlei, hehehehe", vanderlei é o banheiro. Quando vira as costas e caminha, insinuante, admiro essa obra da natureza, sua bunda, que sai majestosa e firme das suas coxas e empina o desejo de um homem. A bunda dela é perfeita, não é grande, nem reta, perfeita. E que está pedindo socorro, quer sair daquela calça e arejar, ficar livre. O jeans mal contém aqueles glúteos rebeldes. Preciso me concentrar na conversa com os amigos, minha situação está crítica. Ela usa calças jeans justas que se moldam ao corpo sem vulgaridade, nem apertada demais, nem sobrando. Certinha naquele corpo que me alimenta os sonhos.  Era enche uma calça como poucas mulheres que conheço e com uma autoridade e maestria de uma mulher que se sabe desejada e observada. De uma Mulher, assim mesmo, com M maíusculo. A mulher que eu farei minha, essa noite. Que pretendo desbravar cada centímetro daquela beleza escondida pelos jeans. Ela enche uma calça. E está começando a encher meu coração.